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Programa a tua vida

Quinta-feira, Março 28th, 2013

O post do Pedro Cardoso sobre o vídeo que anda por aí sobre o ensino/importância da programação fez-me querer escrever sobre a minha própria experiência.

Tive o meu primeiro computador aos 4-5 anos. Era um Timex Computer 2068, um maquinão na altura! Claro que inicialmente jogava alguns jogos que o meu pai me arranjava, mas mais tarde comecei a introduzi-los à mão de listagens em revistas (principalmente a Your Sinclair) e livros. Cheguei a modificar alguns jogos, e a fazer um que tinha um boneco e umas arvores no ecra (não me lembro qual era o objectivo, se havia um :) ). Foi uma coisa progressiva, e não me lembro quando nasceu a minha paixão pela programação.

O evento “abre-olhos” foi mesmo quando convenci o meu pai a comprar-me um Amiga 500. Estive um ano a chateá-lo, e ele obrigou-me a vender o Timex para comprar o Amiga! Mas aquilo era qualquer coisa de fora do comum… toda a indústria informática levou anos a apanhar o que o A500 conseguia fazer. Fiz algumas coisas pequeninas, e iniciei um jogo em BlitzBasic (o Vapour Trail). Já naquela altura programava “por objectos”, e desenhava as minhas naves e edifícios em 3D (usava o Imagine, Real3D e, mais tarde, Lightwave3D). As revistas da altura (Amiga Power e Amiga Format, ambas da Future Publishing) ajudavam bastante, e já na altura comprava software na Inglaterra (através dos anúncios das revistas).

Depois das BBSs (sim, sim, modems a 9600 bps e modo texto!), a web nos Amiga era muito utilizada (via modems também); a Aminet era o maior repositório online (e offline através dos CDs) de software com sources de Amiga, assim como o Amiga Web Directory era o nosso Google, e o pessoal era muito unido e partilhava o conhecimento de uma forma que hoje já não acontece. Bons tempos!

As coisas eram mesmo como o Pedro diz: se a vida te dá limões, faz limonada. Havia muito pouca coisa em português na altura, as revistas, livros, manuais, BBSs, websites, etc, eram quase todos em inglês; em pouco tempo eu já pensava em inglês, à noite, na cama!

Como eu tinha muito interesse pela modelação e renderização 3D, não me dediquei inteiramente à programação na altura. Queria fazer tudo: os gráficos, o som, o código. E jogar. Sim, porque os jogos no Amiga eram fantásticos, e eu tinha grandes amigos para o fazer comigo!

Com o tempo, descobri que a programação é mesmo o meu vício. A magia da tecnologia inspira-me. Hoje não tenho medo de programar nada, muito pelo contrário, é um desafio. De microcontroladores a computadores, passando por telemóveis, PLCs, marcha tudo. Acabei por ir parar à área da indústria, onde me fascina ver o meu software a controlar e supervisionar fábricas com máquinas enormes e poderosas, capazes de produções alucinantes. Às vezes fico ali no meio da fábrica, a apreciar tudo aquilo a funcionar, quase a ouvir os bits do meu software a transformarem-se em azeite. Ou vinho. Ou outra coisa qualquer que, amanhã, vai estar na tua mesa.

Mas eu acho que tive sorte. Um computador aos 5 anos, não era normal. Hoje é, mas não da forma que era antigamente, já não é preciso programar nada para utilizar bem um computador. E assim, tenho um projecto em curso de ensinar programação (e electrónica) a míudos (e graúdos também). Umas workshops de robótica, que espero eu inspirem os mais pequenos a entrar no maravilhoso mundo da ciência e tecnologia.

Assim nasceu a Intellego.